Conflito entre o Paquistão e o Afeganistão analisado pelo Professor Tiago Lopes
26/02/2026 11:02
O Professor Doutor Tiago André Ferreira Lopes, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada – Norte (Porto), investigador do Centro de Estudos Jurídicos, Económicos, Internacionais e Ambientais (CEJEIA), na qualidade de especialista em Relações Internacionais, analisou, no dia 27 de fevereiro de 2026, no "Noticiário das 9H" da Antena 1-RTP, editado pelo jornalista Diogo Miguel Pereira, as recentes evoluções no Médio Oriente, entre o Paquistão e o Afeganistão.
O docente salientou que as relações entre o Afeganistão e o Paquistão - potência nuclear, a par da Índia – se degradaram nos últimos meses, e é de opinião que pode existir interesse, por parte de Trump, numa guerra aberta entre estes dois países: "pode ser uma guerra por procuração, a pedido dos EUA de forma indireta ao Paquistão para eliminar a liderança taliban e tentar repor aquilo que Donald Trump entende como uma ordem constitucional normal". É uma hipótese a considerar, tendo, ainda, chamado a atenção para o perigo do 'efeito endémico' desta situação: "arrastar a região [lembrando que o Afeganistão faz fronteira com o Irão] para um conflito um pouco maior".
O Professor Tiago André Lopes é comentador, para assuntos internacionais, da CNN Portugal e, na rádio Antena Livre dinamiza, desde 2022, o podcast "Opinião Internacional".
A declaração de 'guerra aberta' com o regime taliban do Afeganistão, feita pelo governo do Paquistão, foi assumida pelo Ministro da Defesa, Khawaja Asif, na sequência dos combates fronteiriços que se têm sucedido na última semana. As tensões entre os dois países culminaram com uma vaga de ataques dos taliban na fronteira, durante a noite de quinta-feira, 26 de fevereiro, e a consequente retaliação paquistanesa. Cabul, capital afegã, foi alvo de bombardeamentos e agudizam-se os confrontos na denominada Linha Durand – demarcação fronteiriça. Nas últimas horas, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, e igualmente, a Rússia, ofereceram-se para mediar a situação, entre afegãos e paquistaneses.

